O anel de fixação prende uma polia, uma roda dentada, uma engrenagem ou um cubo de acoplamento ao eixo sem chaveta, sem rasgo e sem folga. Ao apertar os parafusos, duas peças em cunha se encaixam e pressionam o eixo e o furo do cubo ao mesmo tempo, e a ligação transmite torque e força axial só por atrito. Neste guia completo você vê como o anel de fixação funciona, em que ele é melhor do que a chaveta, os 9 tipos mais usados, onde aplicar cada um, os cuidados de montagem e como pedir. Para calcular o tamanho, siga depois o passo a passo de dimensionamento de anel de fixação.
O anel de fixação, também chamado de conjunto de fixação, anel de travamento ou bucha de fixação por atrito, é um elemento de ligação entre eixo e cubo. Ele fica dentro do furo do cubo, em volta do eixo liso, e substitui a chaveta, o ajuste prensado e a união por contração térmica.
Como o eixo e o cubo continuam lisos, sem rasgo de chaveta, a ligação não concentra tensões nesses pontos e não cria folga. É por isso que o anel de fixação é uma solução comum em transportadores, redutores, acionamentos por corrente e por correia, e em acoplamentos.
No mercado, os anéis de fixação costumam ser pedidos pela série numérica: 7012 (padrão), 7013 (com flange), 7014 (cones longos), 7015 e 7515 (precisão), 7070, 7075, 7085 e 7090 (porca central) e 8006 (elemento de fixação). Mais abaixo, a tabela de tipos mostra a série de cada um.
O anel de fixação é composto por um anel interno e um anel externo com superfícies cônicas, mais os anéis de pressão e os parafusos de aperto. O funcionamento acontece em quatro etapas:
Os valores de torque e de força axial dependem do torque de aperto dos parafusos, que é indicado na tabela de cada tamanho. Nos tipos padrão, ele pode ser reduzido para ajustar a capacidade da ligação, e a relação entre aperto e capacidade é aproximadamente linear.
| Critério | Anel de fixação | Chaveta |
|---|---|---|
| Rasgos no eixo e no cubo | Não precisa. Eixo e cubo lisos. | Precisa de rasgo nos dois. |
| Folga | Ligação sem folga. | Pode ter folga e desgaste com o tempo. |
| Resistência à fadiga | Alta, porque não há rasgo que concentre tensão. Eixo e cubo podem ser menores. | Menor, pois o rasgo enfraquece as duas peças. |
| Posição angular do cubo | Qualquer posição, sem ajuste. | Fixa pelo rasgo. |
| Ajuste axial e angular | Fácil: afrouxa, ajusta e aperta de novo. | Exige desmontar. |
| Tolerâncias de fabricação | Folgas maiores são aceitas, sem perder capacidade. | Ajustes mais fechados. |
| Desmontagem | Afrouxar os parafusos e usar os furos roscados de extração. | Depende de saque, e o cubo pode agarrar no eixo. |
| Custo do componente | Maior que o da chaveta, mas dispensa o rasgo e as tolerâncias fechadas. | Baixo. |
A escolha do tipo depende do torque, da força axial, da flexão, da precisão de centragem, da rotação, do espaço e do ambiente. Resumo dos 9 tipos de anel de fixação:
| Tipo | Série | Característica principal | Onde usar |
|---|---|---|---|
| 1. Padrão de duas cunhas, fino | 7012 | Uso geral e menor espaço. Não é autocentrante e compensa pequenas diferenças de tolerância. Até 4 conjuntos em série (consultar). | Rodas dentadas, polias, engrenagens, alavancas, cubos de acoplamento, roldanas. |
| 2. Reforçado para flexão | 7012.2 | Mesmas medidas do padrão, com parafusos especiais rastreáveis e maior resistência à fratura sob flexão. | Tambores de correias transportadoras. |
| 3. Com flange, autocentrante | 7013.0 e 7013.1 | Ótima concentricidade, rotação alta, cargas radiais altas e desmontagem fácil. Versão com colar posiciona o cubo no sentido axial. | Rodas de ponte rolante, acoplamentos, engrenagens, volantes. |
| 4. Cones longos e planos | 7014 | Transmite torques e forças axiais máximos e se centraliza sozinho. No máximo 2 em série. Exige degrau no cubo ou no eixo para a desmontagem. | Polias pesadas, máquinas pesadas, acoplamentos, engrenagens. |
| 5. De precisão | 7015.0, 7015.1 e 7515 | Torque e força axial máximos, com pré-centragem. Indicado para momentos de flexão e para peças com exigência de concentricidade. | Máquinas com requisitos de precisão e flexão. |
| 6. Com porca central | 7070, 7075, 7085 e 7090 | Montagem e liberação rápidas, com uma porca só. Diâmetro externo mínimo e baixo momento de inércia. Serve para eixos lisos e sem chaveta. | Peças de parede fina, conexões engatadas, eixos pequenos. |
| 7. Em aço inoxidável | 7012, 7013.1, 7061, 7110 e 7090 em inox | Versões padrão, com flange e compactas autocentrantes em inox. | Alimentos, ambientes úmidos e corrosivos, tambores, polias de cabo. |
| 8. Elemento de fixação | 8006 | Anel estreito e sem parafusos próprios, apertado por um flange de pressão. Para torques e forças axiais grandes. Não é autocentrante. | Cubos de grande diâmetro, acionamentos de alta carga. |
| 9. Soluções especiais | Sob medida | Projetos sob medida para a aplicação, quando os tipos padrão não bastam. | Aplicações fora do padrão. |
É o anel de fixação mais usado e atende à maioria das aplicações. O conjunto é fino, o que ajuda quando falta espaço. Ele compensa pequenas diferenças de tolerância e cobre folgas grandes sem perder valores de transmissão. Em cargas altas, é possível usar até quatro conjuntos em série, e os torques e as forças axiais se somam (consulte a engenharia para o arranjo). Cargas combinadas, com flexão e cargas radiais, também podem ser transmitidas após análise.
A pressão que atua durante o aperto mantém sujeira fora das superfícies funcionais. O conjunto pode ser apertado e solto repetidas vezes, e é autoliberável: ao soltar o último parafuso, a ligação normalmente se desfaz.
Em tambores de correias transportadoras, o principal esforço sobre a ligação eixo-cubo é o momento de flexão. Flexão excessiva pode sobrecarregar as nervuras entre os furos dos parafusos. Por isso, no projeto do tambor, o catálogo usa dois critérios:
O tipo reforçado tem as mesmas dimensões do padrão, então pode ser usado para atualizar tambores já existentes (conferindo o limite de escoamento do disco de fechamento). Seus parafusos especiais, de resistência acima da classe 12.9 e com mais alongamento, são marcados com o número do lote para rastreabilidade.
O flange reforça o anel no ponto crítico e evita que o anel interno se levante durante a montagem, o que garante boa concentricidade e facilita a desmontagem. O conjunto mantém a forma ao ser montado, por isso serve para rotações mais altas, e a resistência do material o torna adequado para cargas radiais altas. A versão com colar de maior diâmetro externo posiciona o cubo no sentido axial e melhora a concentricidade. Nesse tipo não é permitido alterar o torque de aperto dos parafusos.
Os cones longos e planos transmitem torques e forças axiais máximos com um conjunto só. Como são largos, eles se centram sozinhos, e o eixo e o cubo ficam carregados por pressão, o que dá segurança adicional. Os tipos de precisão têm um friso de pré-centragem e excelente capacidade de centragem. Os dois admitem no máximo dois conjuntos em série.
Em vez de vários parafusos, uma porca central comprime o conjunto. A conexão é fácil de montar e soltar, sem agarramento no eixo, com excelente concentricidade e baixa excentricidade radial. O diâmetro externo mínimo serve para peças de parede fina, e a massa baixa reduz o momento de inércia. É indicado para eixos lisos, sem rasgo de chaveta, e para ligações engatadas.
Para ambientes onde o aço comum sofreria, há versões em inox: padrão, com flange e dois modelos compactos autocentrantes (um de duas peças para torques médios e outro, bem pequeno, sem deslocamento axial do cubo). Os inox são usados em rodas dentadas, alavancas, polias, engrenagens, tambores, rodas de rolamento e polias de cabo.
Os elementos de fixação são anéis estreitos, sem parafusos próprios, apertados por um flange de pressão e parafusos do conjunto. Servem para transmitir torques e forças axiais grandes. Não são autocentrantes, então a concentricidade depende da centragem e do cuidado na montagem. Podem ser usados em série para aumentar a capacidade, e a pressão pode ser reduzida na mesma proporção. Têm alta resistência à fadiga em torção alternada e dispensam o aquecimento do cubo da união por contração.
a tabela mostra alguns tamanhos do anel de fixação padrão, série 7012 (tipo 1), com o torque e a força axial transmissíveis no torque de aperto indicado. O catálogo traz mais de 70 tamanhos desse tipo, de 19 a 1.000 mm de furo, e outros sob consulta.
| Eixo × cubo (mm) | Comprimento (mm) | Parafusos | Aperto (N·m) | Torque (N·m) | Força axial (kN) | Diâmetro externo mínimo do cubo (mm) com limite de escoamento de 200 / 300 / 400 N/mm² |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 20 × 47 | 27,5 | 8 × M6 | 18 | 321 | 32 | 67 / 59 / 56 |
| 25 × 50 | 27,5 | 9 × M6 | 18 | 446 | 36 | 72 / 64 / 60 |
| 30 × 55 | 27,5 | 9 × M6 | 18 | 529 | 35 | 76 / 68 / 65 |
| 40 × 65 | 27,5 | 15 × M6 | 18 | 1.150 | 58 | 102 / 87 / 81 |
| 50 × 80 | 33,5 | 12 × M8 | 41 | 2.080 | 83 | 125 / 107 / 100 |
| 60 × 90 | 33,5 | 14 × M8 | 41 | 2.880 | 96 | 143 / 122 / 113 |
| 70 × 110 | 39,5 | 14 × M10 | 83 | 5.430 | 155 | 187 / 157 / 145 |
| 80 × 120 | 39,5 | 14 × M10 | 83 | 6.160 | 154 | 190 / 162 / 150 |
| 100 × 145 | 47 | 14 × M12 | 145 | 11.100 | 223 | 243 / 202 / 185 |
| 120 × 165 | 47 | 16 × M12 | 145 | 15.100 | 251 | 274 / 228 / 210 |
| 150 × 200 | 52 | 24 × M12 | 145 | 27.900 | 372 | 320 / 271 / 250 |
Valores convertidos para unidades métricas e arredondados a partir da tabela do catálogo do fabricante, com parafusos classe 12.9. O torque varia com o diâmetro do eixo dentro de cada anel (por exemplo, o anel 20 × 47 também atende eixos de 19 e 22 mm, com torques proporcionais). Confirme o valor do seu tamanho na cotação.
Para escolher o tamanho com segurança, use o passo a passo de dimensionamento de anel de fixação, que inclui o fator de serviço, a conferência do cubo e exemplos calculados.
Como a força é transmitida por pressão e atrito, o estado das superfícies e o aperto correto dos parafusos são decisivos. Todas as superfícies de contato, incluindo as roscas e as cabeças dos parafusos, devem estar limpas e levemente oleadas. Não use bissulfeto de molibdênio.
| Tipo | Rugosidade (eixo e furo) | Tolerâncias recomendadas | Torque de aperto |
|---|---|---|---|
| Padrão de duas cunhas | Ra 3,2 µm | Eixo k9–h9, cubo N9–H9 | Pode ser reduzido até 50% do valor da tabela |
| Com flange | Ra 1,6 µm | Eixo h8, cubo H8 | Não pode ser alterado |
| Cones longos | Ra 3,2 µm | Eixo k9–h9, cubo N9–H9 | Pode ser reduzido até 80% do valor da tabela |
| De precisão | Ra 3,2 µm | Eixo h8, cubo H8 | Pode ser reduzido até 50% do valor da tabela |
| Precisão para flexão e porca central | Ra 1,6 µm | Eixo h8, cubo H8 | Reduzível conforme o tipo (consultar o catálogo) |
Para a PEAGE indicar o tipo e confirmar o tamanho, informe:
Veja também a página do anel de fixação no site da PEAGE.
É um elemento de ligação entre eixo e cubo que transmite torque e força axial por atrito, sem chaveta e sem folga. Ao apertar os parafusos, dois anéis em cunha criam pressão radial entre o eixo e o furo do cubo.
A chaveta transmite o torque por forma e exige rasgo no eixo e no cubo. O anel de fixação trabalha por atrito, dispensa os rasgos, não tem folga, permite ajuste da posição do cubo e melhora a resistência à fadiga, porque o eixo e o cubo não são enfraquecidos.
Sim. Os tipos padrão podem ser apertados e soltos várias vezes. Antes de montar de novo, limpe os anéis que estiverem sujos, desde que não tenham danos.
Quando um conjunto só não atende ao torque ou à força axial. No tipo padrão podem ser usados até 4 conjuntos, e nos de cones longos e de precisão, no máximo 2. Os valores de torque e de força axial se somam, mas o arranjo deve ser confirmado com a engenharia.
Ele tem um efeito parecido: se a força de atrito for ultrapassada, a ligação escorrega, e isso protege peças da máquina. Mas não deve ser usado como embreagem deslizante, e depois de um escorregamento a ligação precisa ser conferida.
Depende do tamanho e do tipo. Por exemplo, no anel padrão, parafusos M6 pedem cerca de 18 N·m, M8 cerca de 41 N·m, M10 cerca de 83 N·m e M12 cerca de 145 N·m. Aperte em sequência diametralmente oposta e em duas ou três etapas.
É o anel de fixação padrão de duas cunhas, o mais usado em aplicações gerais como rodas dentadas, polias, engrenagens e cubos de acoplamento. É fino, não é autocentrante e admite até 4 conjuntos em série. As séries 7013, 7014, 7015 e 7515 atendem casos como flange, cones longos, precisão e flexão.
Sim. A PEAGE, com sede e loja em Curitiba, indica o tipo e o tamanho do anel de fixação para a aplicação, com atendimento a indústrias do Paraná e de Santa Catarina.
Informe o diâmetro do eixo, o diâmetro do cubo, o torque e a aplicação. A PEAGE indica o tipo e o tamanho do anel de fixação, com atendimento no Paraná e em Santa Catarina.
Falar no WhatsApp: (41) 3026-1634
Veja também os acoplamentos industriais e a página de contato.
Dados do catálogo técnico do fabricante (edição 2016), convertidos para unidades métricas. Conceitos de atrito e de ligação por pressão são clássicos de projeto de máquinas. A seleção final deve ser conferida pelo time técnico da PEAGE.
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